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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

As Mentiras de Locke Lamora

Titulo Original:The Lies of Locke Lamora
Autor:Scott Lynch
Editora: Saída de Emergência 

Sinopse: Diz-se que o Espinho de Camorr é um espadachim imbatível, um ladrão mestre, um amigo dos pobres, um fantasma que atravessa paredes. De constituição franzina e quase incapaz de pegar numa espada, Locke Lamora é, para mal dos seus pecados, o afamado Espinho.
As suas melhores armas são a inteligência e manha à sua disposição. E embora seja verdade que Locke roube dos ricos (quem mais vale a pena roubar?), os pobres nunca vêem um tostão. Todos os ganhos destinam-se apenas a ele e ao seu bando de ladrões: os Cavalheiros Bastardos. 
O submundo caprichoso e colorido da antiga cidade de Camorr é o único lar que o bando conhece. Mas tudo vai mudar: uma guerra clandestina ameaça destruir a própria cidade e os jovens são lançados num jogo de assassinos e traidores onde terão de lutar desesperadamente pelas suas vidas. Será que, desta vez, as mentiras de Locke Lamora serão suficientes?


Crítica:  Este livro junta Ocean's Eleven a fantasia medieval em algo que se assemelha à época renascentista. O que significa que este livro é uma leitura obrigatória para qualquer fã de fantasia. Primeiro porque a escrita é algo sublime, depois porque os personagens são fantásticos e com uma caracterização muito peculiar e a construção do mundo é algo que nos fascina imenso. 
O mundo de Locke Lamora tem um passado que não nos é explicado mas que parece ser algo muito muito atractivo, e as pequenas pistas que o Scott deixa espalhado pelos seus trabalhos abre-nos o apetite para aprender muito mais acerca deste mundo. Quando começamos a ler o livro estamos na cidade de Camorr e somos introduzidos a um jovem Locke Lamora que aprende que o mundo do crime em que ele está inserido tem regras específicas, sendo a principal não atacar a nobreza. Isto é algo díficil para o jovem de 9 anos, cujos golpes são extremamente eficazes e que deixam o chefe do seu gangue com problemas perante o chefe do crime da cidade. Daí o pequeno Locke tem de ser vendido a outro chefe do gangue ou ser assassinado, conforme ordem do líder criminal da cidade.

A história divide-se em duas linhas temporais distintas, uma em que o Locke é um miúdo e outra em que já é chefe do seu bando. Como chefe do seu bando, ele infringe a regra essencial de Camorr e ataca os nobres da cidade, conseguindo uma pequena fortuna para o seu bando. Recebe a alcunha do Espinho de Camorr, que toda a gente pensa que é um mito urbano. Os nobres nunca dizem que foram roubados, e os ladrões acham que ninguém se atraveria a roubar a nobreza, indo contra as ordens do líder do crime de Camorr. 

Toda a narrativa prende-se com golpes e esquemas para roubar os nobres, enganar os ladrões de outros gangues e proteger o gangue Cavalheiros Bastardos, que para Locke são como família.
Os outros personagens da história são igualmente fascinantes, passando por um jovem que é feio e gordo, mas com uma capacidade com a espada fenomenal. Dois gémeos brincalhões, que se conseguem disfarçar de todas as formas e um pequeno aprendiz que tenta aprender o máximo que pode.

As coisas complicam-se durante o desenrolar do livro, devido à introdução dum antagonista que consegue antever todos os passos de Locke e dos Cavalheiros Bastardos, e que pretende usá-los para transformar a organização criminal da cidade.

Muito mais se poderia dizer acerca do livro, mas iria tirar o deslumbre de ler esta colecção.

sábado, 7 de julho de 2018

Herói das Eras

Titulo Original:Hero of the Ages
Autor:Brandon Sanderson
Editora: Saída de Emergência
Sinopse:Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.
O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?
Crítica: Neste livro somos confrontados com o fim do mundo, tanto de forma figurativa como literal. Depois dos eventos do segundo livro da trilogia, Elend, Vin e Sazed passam por uma mudança de personalidade. Além disso, o mundo deles está cada vez mais próximo do fim, em que apenas o herói das eras os poderá salvar.
A primeira vez que li este livro não consegui parar (aliás eu li a trilogia toda seguida como se precisasse disso para viver). A realidade é que Sanderson faz neste livro algo que fez no resto da série, vai aumentando de forma gradual o suspense de forma a não conseguirmos parar de ler até ao fim. É surreal!

Primeira coisa que nos salta à vista é Elend. Depois de ter ido ao Poço da Ascensão ele muda, muito para além de ser Mistborn. Agora temos um personagem mais maduro, capaz de tomar decisões dificeis. Deixou de ser o inocente sonhador e passou a ser o imperador que Luthadel precisa.

Vin tem uma mudança mais subtil, mas percebe-se que os eventos do segundo livro mostraram-lhe que ela é muito mais que uma assassina ou arma. Aliás ela revela-se fundamental como líder do grupo de Kelsier.

Sazed perdeu a sua fé, devido à morte de alguém muito querido, e vermos as mudanças na personalidade dele é de partir o coração. No entanto, parece que se tornou um personagem mais fácil de se sentir empatia por ele. Já era um favorito, mas aqui ele revela ser algo mais.

E claro que tenho de mencionar Spook. As mudanças nele são fenomenais, principalmente, se tivermos em conta que ele sempre foi um personagem secundário. No entanto, neste livro ele ganha uma relevância enorme, parecendo que Kelsier volta a viver em Spook.

Gostei imenso da abordagem aos kandra, e a forma como a sociedade deles funciona.

Mas o que realmente trabalha bem neste livro é a forma como a narrativa foi desenvolvida. Tem o número certo de descrição, acção e desenvolvimento pessoal. A nível emocional é o livro que mais puxa por nós. E, quando termina, queremos amaldiçoar o autor. É o fim certo para esta trilogia.

De referir que a Saída de Emergência fez o esquema de dividir o livro em dois, num livro cuja versão original tem 572 páginas....No entanto, o Poço da Ascenção que tem 590 páginas na versão original só tem um volume em português. Francamente, a única justificação válida que vejo é mesmo a nível financeiro para a editora conseguir ter um encaixe maior. Deplorável...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Poço da Ascensão

Titulo Original:Well of Ascension
Autor:Brandon Sanderson
Editora: Saída de Emergência
Sinopse:Alcançaram o impossível: o mal que governara o mundo pela força do terror foi derrotado. Mas alguns dos heróis que lideraram esse triunfo não sobreviveram, e eis que surge uma nova tarefa de proporções igualmente gigantescas: reconstruir um novo mundo. Vin é agora a mais talentosa na arte e técnica da Alomância e decide reunir forças com os outros membros do bando de Kelsier para ascender das ruínas de um passado vil.
Venerada ou perseguida, Vin sente-se desconfortável com o peso que carrega sobre os ombros. A cidade de Luthadel não se governa sozinha, e Vin e os outros membros do bando de Kelsier aprendem estratégia e diplomacia política enquanto lidam com invasões iminentes à cidade.
Enquanto o cerco a Luthadel se torna cada vez mais apertado, uma lenda antiga parece oferecer um brilho de esperança: o Poço da Ascensão. Mas mesmo que exista, ninguém sabe onde se encontra nem o poder que contém… Resta a Vin e aos seus amigos agarrar esta fonte de esperança e conseguir garantir o seu futuro e futuro de Luthadel, cumprindo os seus sonhos e os sonhos de Kelsier.
 
Crítica: Adoro a escrita de Brandon Sanderson. É uma leitura fácil e descontraída, com personagens realistas e cheias de profundidade emocional,  e o enredo é sempre algo interessante, com um equilibrio entre o simples e o complicado que me mantém preso às páginas do livro desde o ínicio. Mas aquilo que me prende aos livros dele é sem dúvida os sistemas de magia que ele desenvolve. São completamente diferentes de livro para livro, no entanto, são fascinantes. Principalmente, quando usados por personagens diferentes, em que conseguimos ver as nuances de utilização de cada um deles.

O sistema de magia usado nesta trilogia é a Alomancia, em que consiste engolir pedaços de metal e "queimá-los" para obterem poderes fascinantes. As personagens podem ter a capacidade de queimar apenas um metal, ou queimar todos, sendo chamados de Nascidos das Brumas ou Mistborn(eu teria mantido o nome original). 

No final do primeiro livro, houve a queda do império que era governado por alguém que todos consideravam ser um Deus. Agora Elend e Vin têm a missão de manter a cidade a salvo de todos os que a ameaçam. A premissa é simples, mas foca-se num ponto extremamente importante, a nível político. O que acontece quando se derruba um sistema governamental? A resposta que nos é dada aqui é caos. A partir do momento em que deixaram de ser governados por "Deus", todos os nobres que conseguiram reunir poder tentaram autoentitular-se de reis, dando inicio a uma guerra civil.

Elend aqui revela-se como um pobre governante, que não consegue colocar em marcha a sua visão para a sua república, ficando ao cargo de Vin e dos outros de tentar proteger a cidade dos exércitos que se aproximam. O facto de Elend ser este tipo de personagem não é de surpreender, visto que ele era um sonhador e jovem rebelde, mas que nunca teve responsabilidade nas mãos. Assim que o império cai, ele fica o chefe da cidade, e isto torna-se complicado.
Vin neste livro volta a tomar um papel de espia/assassina para proteger os seus amigos, sendo a protagonista a nível de acção. A personagem parece ser mais poderosa que qualquer um dos outros Mistborns, apesar de se ter apercebido relativamente tarde dos seus poderes. A explicação é que ela tem talento inato e que adora usar os seus poderes.

Aquilo que mais me agradou neste livro é toda a tensão política em volta dos nossos personagens. Consegue-se perceber que eles não tinham um plano no caso de serem bem-sucedidos. O foco dado à religião em todos os livros também é algo fascinante, visto que o autor demonstra um ponto que se se retirar a religião à população, retira-se algo essencial na sua motivação.

Não conheço ninguém que não tenha gostado de Mistborn, e como tal é o livro que recomendo a todos os que querem ler um livro de fantasia pela primeira vez.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Jardins da Lua

Titulo Original:Gardens of the Moon
Autor:Steven Erikson
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:O PRIMEIRO VOLUME DE UMA OBRA-PRIMA QUE REVOLUCIONOU A FANTASIA ÉPICA Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen. Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo.

Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda… Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz. Verdadeiramente épico, Erikson não tem igual quando o assunto é ação e imaginação, e junta-se à classe de Tolkien e Stephen Donaldson na sua visão mítica.

Crítica: Ok... Isto é o primeiro livro de uma série de dez livros que parece ser unanimemente aclamado como uma das melhores séries de fantasia épica que existe. Equiparado a Tolkien e G.R.R Martin. Pois...
Enquanto estava a ler este livro (algo que demorou cerca de três meses...Algo estranho em mim), sempre que alguém me perguntava que tal é o livro?A minha resposta era algo semelhante a " Imagina que estás a ler a Guerra dos tronos, mas sob o ponto de vista de soldados que não fazem a mínima ideia daquilo que está a acontecer".  Mantenho essa opinião. Este livro não é ideal para alguém que se está a iniciar em literatura fantástica. Há coisas mais simples de se ler que irá dar muito prazer quando se termina.

Agora, a realidade é que não houve nenhum livro que me tenha deixado tão satisfeito com a leitura, logo após eu o terminar. Tirando este. Os Jardins da Lua estão noutro patamar a nível de literatura fantástica. É uma obra de arte que só se começa a compreender quando chega ao fim. E isso, por si só, já dá muito gosto em ler.

A história do império Malazano é uma de guerra no continente Genabackis. O leitor entra na guerra num cerco à cidade de Pale, onde estranhas forças resistem à força do império. Aí somos introduzidos a um grupo de personagens designadas por Queimadores-de-Pontes, que estão metidos entre a espada e a parede. No meio de muita confusão, magia e traição estes personagens são encarregues de uma missão vital para a expansão do império.

O livro está constantemente a introduzir novas personagens, raças e tipos de magia tornando a leitura uma verdadeira aventura. Deuses que se metem em assuntos dos comuns mortais, raças que vivem milénios. Isto é um livro que nos deixa tontos, e a única forma que temos para o ler é sempre seguido. Garanto que quem chega ao fim é recompensado. Imaginem que estão a escalar o Evereste. Os próximos livros são mais fáceis.

Quem já leu?